usar de forma adequada as velocidades

O actual sistema de transmissão da força de tracção na bicicleta sempre foi um dos maiores motivos de preocupação dos ciclistas durante as viagens. Costumamos pensar na corrente de transmissão como uma simples peça da bicicleta, e muitas vezes nos esquecemos que ela é composta, na verdade, por centenas de pequenas peçinhas fixas umas nas outras apenas por pressão.

elos passando de uma roda dentada para outra

Mudança de velocidade: elos passando de uma roda dentada para outra


Por isso, o uso das velocidades e da corrente deve ser muito cuidadoso. Além da sujidade e da falta de lubrificação, um dos maiores erros que podemos cometer é o que se chama de corrente cruzada. As correntes de transmissão são feitas para funcionarem ao longo de uma linha recta. Isto é, quando aplicamos uma tracção, todos os elos devem estar o mais alinhado possível. Quando ocorre um desalinhamento muito grande destes elos, aparecem forças laterais que diminuem bastante a vida útil da corrente e podem até mesmo causar uma ruptura.

Exemplo de uma combinação errada

Exemplo de uma combinação errada

A regra geral é a seguinte. A roda do meio (na frente) pode ser combinada com qualquer uma das rodas (atrás), evitando-se as das extremidades. Com a roda maior é bom utilizar somente as quatro rodas menores, que ficam mais ou menos alinhadas com ela. Da mesma maneira, com a roda menor, utiliza-se apenas as quatro rodas maiores. Desta forma evita-se a situação que está ilustrada na figura. Esta regra pode ser usada tanto para cassetes de 7 como de 9 velocidades.

Detalhe do ângulo formado pelos elosDetalhe do ângulo formado pelos elos

Note que fazendo isso você não está perdendo nenhuma relação de velocidades de que a sua bicicleta dispõe, pois as combinações que estamos chamando de ‘proibidas’ produzem relações equivalentes às conseguidas com o uso de outra combinação.

Um outro problema parecido com este e que também merece bastante atenção, acontece no momento das trocas de velocidades. Quando trocamos de velocidade, a corrente que está girando numa das rodas dentadas, tem que se inclinar fortemente para engrenar na roda dentada ao lado, seja através do desviador dianteiro ou traseiro. Não há nenhum problema, caso esta transição ocorra suavemente.

Porém, se aplicarmos uma tracção neste momento, estaremos aplicando as tais forças laterais nos elos que estão envolvidos na transição. Por isso, sempre que mudamos de velocidade devemos girar os pedais livremente sem tracção. De maneira prática, podemos dizer que temos que aliviar a força dos pedais para que a mudança de velocidade seja macia.

Para isto o ciclista tem sempre que estar atento e prever com alguns segundos de antecedência a necessidade da troca. Por exemplo, se você entrou de repente numa subida, vai ter que reduzir a velocidade. Não espere o último momento, pois aí não vai conseguir aliviar a força para fazer a troca. Se você errou o momento da troca, não exite em parar, saltar da bicicleta e trocar a velocidade com ela parada, ou mesmo empurrá-la até o topo da subida.

Estas dicas se tornam especialmente importantes se estiver a viajar com a bicicleta carregada. O peso, principalmente nas subidas vai acentuar esses problemas.

O sistema de transmissão de forças ainda tem muito que evoluir (quem sabe para o sistema de eixo como já se usa em algumas bicicletas). Mas enquanto isso,não acontece vamos cuidando bem das nossas delicadas correntes, porque elas ainda tem muito o que girar para nos levar a todos os lugares fantásticos que planeamos conhecer.

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